CVA
Centro de Vacinação de Adultos

Vacina contra a varicela

Terezinha Marta P.P. Castiñeiras, Luciana G. F. Pedro & Fernando S. V. Martins

O risco de transmissão de varicela ("catapora") existe em qualquer lugar do mundo, especialmente nas áreas urbanas com grandes aglomerados populacionais. É uma infecção altamente transmissível, e por este motivo, a maioria das pessoas adultas já teve varicela e, portanto, está imune à doença.

A vacina contra a varicela foi desenvolvida no Japão no início dos anos 70, mas apenas em meados da década de 90 passou a ser mais amplamente utilizada nos países ocidentais. É produzida a partir do vírus varicela-zóster atenuado e é altamente eficaz. Uma única dose da vacina (via subcutânea) resulta em proteção em 97 % de crianças até 13 anos. Resultados semelhantes são obtidos em pessoas maiores de 13 anos com a aplicação de duas doses da vacina.

A vacina contra a varicela tem custo relativamente elevado. No Brasil, a vacina ainda não faz parte do Calendário Básico definido pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI), não estando disponível nos Centros Municipais de Saúde para uso geral, mas pode ser encontrada na rede privada. Na rede pública está disponível apenas nos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE), exclusivamente com indicação médica, para para vacinação de susceptíveis (não imunes) que sejam contactantes domiciliares ou hospitalares de imunodeficientes também susceptíveis à doença e  para os indivíduos não imunes candidatos à transplante de órgãos. Além disto, a vacina também está disponível nos CRIE para  indivíduos susceptíveis com deficiências imunológicas, em circunstâncias restritas e bem estabelecidas, incluindo tumores sólidos ou leucemia linfocítica aguda em remissão, sem radioterapia, pessoas infectadas pelo HIV assintomáticas e para bloqueio de surtos hospitalares.

A vacina está indicada para todas as pessoas susceptíveis maiores de um ano de idade, incluindo os adultos. A vacina poderá ainda ser útil para evitar ou atenuar a infecção pelo vírus selvagem em indivíduo não imune que tenha entrado em contato com uma pessoa com varicela, desde que feita até 72 horas após a exposição. Nos indivíduos que tenham critérios de contra-indicação à vacina (gestantes, prematuros, imunodeficientes) está indicado o uso de imunoglobulina específica para a varicela (VZIG), que deve ser administrada até 96 horas da exposição. A VZIG, que não é habitualmente encontrada na rede privada, está disponível nos CRIE para, com indicação médica, atender exclusivamente a esta demanda específica.

Eventos adversos

Reações alérgicas graves à vacina contra a varicela são muito raras. Os eventos adversos são pouco freqüentes e geralmente desprovidos de gravidade. Os mais comuns, que ocorrem entre cinco e doze dias após a vacinação, são a febre e um pequeno número de lesões de pele identicas às da varicela. O surgimento das lesões de pele, que acontece em até 8% das pessoas, não significa falha da vacina. O vírus varicela-zóster vacinal dificilmente pode ser isolado destas lesões e permanece atenuado mesmo quando, raramente, ocorre a sua transmissão para outras pessoas.

Contra-indicações e precauções

A vacina contra a varicela, assim como todas as vacinas de vírus atenuado, está contra-indicada durante a gravidez, em prematuros e em imunodeficientes. Está também contra-indicada em indivíduos que tenham apresentado reação alérgica grave a dose prévia da vacina ou a seus componentes. A aplicação da vacina deve ser adiada em pessoas com doenças agudas em investigação e nos indivíduos com doenças crônicas descompensadas.

Disponível em 12/12/2003, 13:52 h. Atualizado em 23/09/2006 08:47 h 


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